O Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, anunciou nesta terça-feira o Plano Safra 2026/2027. Para o presidente da Câmara Setorial do Arroz, Henrique Osório Dorneles, as medidas apresentadas não trouxeram novidades positivas para o setor produtivo, especialmente em relação às taxas de juros destinadas aos financiamentos.
Segundo Henrique Dorneles, o principal ponto de insatisfação é o tratamento diferenciado entre as linhas de crédito. Enquanto os produtores enquadrados no Pronaf terão acesso a financiamentos com juros de um dígito, em torno de 9% ao ano, o setor empresarial enfrentará taxas de aproximadamente 12,5%. Conforme destacou, os produtores reivindicam um tratamento igualitário para ambos os segmentos. Na avaliação do dirigente, essa decisão pode estar relacionada aos problemas fiscais e ao elevado déficit enfrentado pelo país.
Henrique Dorneles também ressaltou que tanto a agricultura quanto a pecuária são atividades de retorno a longo prazo, o que dificulta a permanência dos produtores diante de custos financeiros elevados. Outro aspecto apontado por ele é que grande parte dos recursos disponibilizados no Plano Safra passa a ser proveniente de bancos privados, reduzindo a participação do crédito público.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial do Arroz, essa mudança limita a concessão de subsídios governamentais ao setor, obrigando os produtores brasileiros a competir em condições desfavoráveis com países que subsidiam suas produções. Ao avaliar o anúncio, Henrique Dorneles afirmou que o Plano Safra 2026/2027 "veio sem brilho" e defendeu maior atenção e respeito do Governo Federal ao setor agropecuário, que, segundo ele, é um dos principais impulsionadores da economia brasileira.